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Rituais • Ver Tópico - [Índia] A cores na terra dos Marajás (31.8-21.9.2014)

Rituais

Para lá do horizonte
Data/Hora: 22 mar 2019 20:42

Os Horários são TMG [ DST ]




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MensagemEnviado: 12 fev 2014 21:11 
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A cores na terra dos Marajás

. Quando: 31 de Agosto a 21 de Setembro de 2014
. Descrição: Esta é mais uma viagem em autonomia, procurando viajar sem mordomias (leia-se, "o mais barato possível").
O percurso está em fase de planeamento e o primeiro custo está estimado em 1.250€. Pode facilmente ser um valor superior na medida em que só foi considerado um vôo interno e, devido à dimensão do país, pode ter de ser considerado mais do que isso.

Um dos participantes :) procura o nirvana da fotografia pelo que se exige uma certa paciência dos restantes que apreciem o estilo toca-e-foge :)

Alguém mais alinha?

Participantes
. Paulo Alves
. Margarida

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MensagemEnviado: 31 ago 2014 20:57 
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31.08.2014
Já estamos na terra dos Marajás. A alvorada foi às 2h30 da manhã e depois de apanhar o voo em Lisboa, fizemos uma escala de 1h30 em Munique. Chegámos então a Delhi às 23h (hora local).
O dia de hoje não tem grande história, embora já tenhamos “saboreado” uma amostra da condução que por aqui se faz. Os traços contínuos são mera referência (se é que são) e buzina-se por duas razões apenas (por tudo e por nada). Haja sangue frio para as rotas de colisão que são resolvidas nos últimos metros.
São agora 1h e estamos alojados numa coisa a que chamam de hotel que está parcialmente em obras. Smyle Inn parece um nome apropriado para o estado de espírito que se tem de assumir neste tipo de viagens. O hotel está no interior da “medina”, que à noite chega a assustar. Aqui chamam “bazar”, o que também pode corresponder à primeira vontade que sentimos ao chegar. Boa dica do Luís Goes :shock:
Amanhã começa o nosso “reconhecimento” de Delhi. Vamos reportando sempre que possível e se a vontade nos tocar 8)

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MensagemEnviado: 01 set 2014 18:22 
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01.09.2014
Hoje, depois de um pequeno-almoço que incluía um NDS picante (1), regressámos ao quarto para planear no detalhe os dois próximos dias. Depois fomos a uma “agência” que opera no terceiro andar do edifício do hotel, para pedirmos um mapa da cidade. E claro que nos iriam tentar vender alguma coisa. Por regra fujo dessas abordagens, mas desta vez resolvemos ouvir o que nos tinham para dizer e tentar esclarecer algumas dúvidas sobre o planeamento que trazemos feito de casa. Depois de alguma conversa e um preço, regressámos ao quarto para discutir se alterávamos o formato da viagem. Acabámos por decidir alinhar no “modelo dondocas” e amanhã vamos sair de carro com o Vini, condutor de uma viatura com AC, que nos irá guiar por boa parte dos pontos que pretendemos visitar. Feitas as contas, o preço que nos propunham para os voos para/de Goa, cobriam parte do resto do serviço.
Também fica incluída uma noite no deserto, onde se chega no dorso de um camelo.
E como o “estrago” estava feito, o Vini acompanhou-nos o resto do dia para visitarmos os spots em Delhi. Os museus estavam fechados e por isso ainda sobrou tempo para visitar uns pontos não planeados. Apesar de estar calor, hoje tivemos direito a um pequeno aguaceiro, mas longe do que o Pedro Silvano nos ameaçou :twisted: Terminámos o dia a comer um belo frango, num restaurante “peganhento” e amanhã rumamos ao Rajastão.

(1) NDS: Nem Deus sabe

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MensagemEnviado: 03 set 2014 16:24 
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02.09.2014
Saímos por volta das 8h30, depois de mais um pequeno-almoço que pouco variou do anterior, embora com direito a sandocha de omoleta. Começou agora a viagem, efetivamente. Ou seja, estamos a rumar à zona desértica do Rajastão.
Inicialmente rolámos por estrada larga, de duas faixas, o que confere oportunidade para se cruzarem três carros, por vezes quatro, ao mesmo tempo. Vale a experiencia do Vini que se desvia estoicamente, usando apenas uma mão, enquanto com a outra atende o telefone. :shock:
Passamos por uma cidade onde estão localizados os principais escritórios das grandes marcas com a IBM, a Google e outras IT. Podia ser uma qualquer cidade moderna da Europa ou Estados Unidos.
Depois passamos a estradas mais espartanas, chegando a ser apenas uma pequena faixa de asfalto ratado onde se gladeiam carros pelo direito de manter as quatro rodas no asfalto. 8)
Os indianos apitam desalmadamente, como se estivessem muitíssimo zangados com os outros condutores. Depois passam serenamente, sem sequer olhar ou gesticular. O Vini diz que é também uma forma de atraírem a “boa sorte”. :roll:
A paisagem é rural e hoje é dia de cantar e dançar, numa qualquer motivação hindu. Ao verificar a nossa vontade de fotografar, o Vini pára o carro e incentiva-nos a aproximarmo-nos do local onde duas ou três dezenas de mulheres, vestidas de cores coloridas, dançavam ao som Boliudesco de um trator com música amplificada. Festival de risos e fotografias. A Margarida é puxada para dançar com as mulheres e em sequência aproximam-se os rapazolas e começam a fotografar com o telemóvel. Acho que já têm motivos para sonhos eróticos para o resto da semana. :twisted:
Voltamos à estrada para parar algum tempo depois. Numa tasca de beira de estrada onde só vemos duas mesas, comemos excelentes pratos vegetarianos, acompanhados de refrigerante de marca local, que no final nos custou 280RP (3,60€), o que deve ter incluído a refeição do Vini. Somos uns esbanjadores, está visto! :D

Ao chegarmos ao nosso destino, fizemos um reconhecimento de carro e depois fomos dar uma volta a pé para fotografar. O Vini não veio connosco porque dizia que naquela povoação eram um pouco agressivos com os “guias” que vinham de fora porque lhes tiravam o trabalho. Na verdade ganharam o mesmo.
Foi um pedaço de tempo muito interessante para quem fotografa compulsivamente. Aqui, não só aceitavam, como alguns até pousavam. Cheguei a conseguir fotografar mulheres, sem ter de recorrer à 100-400mm, a lente de paparazzi para os leigos.

Estamos agora na cidade de Mandawa, alojados numa excelente Haveli, antiga casa de marajá que por falta de “guito” foi convertida em hotel. Está muito bem decorada com temas coloridos, dedicados sobretudo às mulheres do marajá, ora tocando flauta, ora brincando com os animais de estimação. O quarto é espaçoso o suficiente para alojar duas valentes ventoinhas que quase nos fazem tombar. O jantar foi no hotel e também comemos muito bem, novamente vegetariano, o que me começa a deixa preocupado com o caminho que toma a minha “silhueta”. Recomendamos por isso o Hotel Heritage Mandawa Haveli. :idea:

Amanhã estamos combinados para as 8h30, a caminho de Bikaner.

03.09.2014
A paisagem vai mudando gradualmente, com pequenos apontamentos para nos recordarmos que estamos a rumar ao deserto. As carroças aqui são agora puxadas a camelo e de vez em quando vemos algumas acácias. Mas de uma forma geral a paisagem é bastante rural. Rolamos numa cadência lenta e irregular porque a estrada é uma verdadeira “manta de retalhos”. Além disso de vez em quando caem pequenos aguaceiros, que deixam a via enlameada. Uma passagem por debaixo de uma linha de caminho de ferro era também para fazer a vau. Vemos um camião passar e a água não chegava a um quarto de roda. Passámos também. Ainda tínhamos andado poucos quilómetros e numa povoação em que parámos para fotografar umas havelis, quando regressamos ao carro, estava de capot aberto. Mau sinal. O Vini diz-nos que o carro está a aquecer e que a ventoinha de refrigeração não devia estar a funcionar. Paramos num mecânico de beira de estrada e ensaiam o carro alimentando a ventoinha diretamente da bateria. Aparentemente era um fio que fazia mau contacto. Dão o trabalho por terminado mas o Vini desconfia de que está “atamancado”. E tinha razão porque só em Bikaner resolveram efetivamente o problema.
Ainda assim chegámos à povoação a tempo de fazer o check-in no hotel, largar as mochilas e contratar uma volta de tuc-tuc para ver a cidade. No percurso parámos para comer num restaurante de rua uma kachori samosa, uma bola com carne picante, iguaria anunciada no guia de viagem. Também bebemos uma lassi, uma espécie de iogurte que sabe muitíssimo bem. As havelis aqui são mais do que muitas e bonitas. Pena que a grande maioria esteja abandonada. Parámos num templo Janista mas acabámos por não entrar porque tínhamos de nos descalçar e o chão estava molhado. Enfim, caprichos da turistada. E no regresso ao ponto de partida pedimos para parar num pequeno mercado no interior da cidade velha por onde tínhamos passado e fizemos mais umas boas fotografias do povão. Para terminar fomos ver o forte onde percebemos a dimensão do poder que tinham os marajás e a forma sumptuosa como viviam. O forte tem também muitas armas que usaram ao longo do tempo, sobretudo na Primeira Grande Guerra Mundial onde um dos marajás lutou como general das forças britânicas.
Voltámos então ao Hotel Harasar Haveli, também este muito bonito e do qual vemos parte da povoação, inclusive podendo trocar brincadeiras com os miúdos nos terraços das casas vizinhas, que se põem muito a jeito para as fotos. Vamos jantar por aqui e amanhã saímos às 9h00.

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MensagemEnviado: 03 set 2014 18:32 
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e que tal umas fotos? até pode ser uma da Margarida a dançar :lol:

bjs e continuação de boas férias!


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MensagemEnviado: 04 set 2014 14:20 
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Grande reportagem,estamos a gostar. Também ficamos á espera das fotos da menina Margarida nas danças.Que continuem a divertirem-se conforme o planeado. Amanhã voltamos para o lar (não é dos idosos). BJS :D :lol:


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MensagemEnviado: 05 set 2014 13:50 
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04.09.2014
Saímos às 9h pelas estradas esburacadas da cidade, na direção de Khuri. O Vini comenta-nos que Rajastão significa “Terra de Reis” e que Raja significa “Rei” e “Tan” significa “Terra”. Em tempos cada cidade tinha um rei, o que acabou por dar nome a toda uma região da Índia.
A paisagem vai ficando ainda mais agreste e a vegetação é predominantemente de acácias.
Vemos peregrinos na estrada que vão para um templo por onde passaremos no caminho. Passamos num ponto de apoio onde a comida e local para descansar são gratuitos para os peregrinos. Em determinado ponto do caminho começamos a ver sapatos e chinelos na beira da estrada. E num ponto específico são mesmo aos milhares. O Vini explica-nos que a partir dali os peregrinos vão descalços. Pergunto como vão reconhecer o que é seu, no regresso mas a resposta é obvia… não vão! Largar ali os sapatos faz parte da tradição. Passamos na estrada de acesso ao templo, que fica a 4Km. Poderíamos ir até lá a pé mas o Vini desaconselha-nos porque, a avaliar pela quantidade de sapatos, chegar efetivamente ao templo seria impossível.
Mais à frente almoçamos numa tasca de beira de estrada. A comida vai melhorando a cada refeição. Ou somos nós que vamos mudando…
Ao lado do restaurante, numa barraca, o Vini vai-nos comprar uma cerveja. A marca King Fisher parece ser a única produzida na Índia. Deveria ter custado 90RP mas viram que era para o turista e por isso cobraram 100RP.
Fazemos uma paragem para abastecer. O diesel custa menos de 1€/L e em cada paragem o Vini faz verificações básicas ao carro.
Voltamos à estrada e quase atropelamos um lagarto enorme. Talvez fosse uma iguana.
À entrada de uma povoação fazem-nos parar e cobram uma taxa. O Vini pergunta porquê e respondem que é para tomar conta das dunas. A Margarida sugere que lhe responda que toma conta do sol e que por isso lhes cobre o mesmo :shock:
Ao passarmos em pequenas povoações vemos mulheres com potes metálicos redondos à cabeça, com os quais vão buscar água ao poço comunitário. Um miúdo faz o mesmo mas leva um camelo com bolsas de pele.
Passam por nós camiões muito ornamentados com fitas e muito coloridos.
Chegamos finalmente ao Hotel Mangalam Resort, nome pomposo para um barraco com um pátio e umas casotas redondas que devem ser quartos. Em pouco tempo os nossos dois camelos estão prontos e por isso vamos bamboleantes até ao topo das dunas para ver o pôr-do-sol. Já lá mais alguns, poucos, turistas. Cai o dia e regressamos ao “hotel”. Dão-nos uns aperitivos na expetativa de venderem umas cervejas. Pedimos água, só para chatear. Mais tarde lá bebemos mais uma cerveja, que nos custou 200RP (o dobro da anterior). Esta é mais clara que a anterior e menos forte. Gostámos mais da primeira. No pátio trocamos impressões com um grupo de três japoneses que vimos nas dunas e com um casal londrino. Os aperitivos e o jantar foram acompanhados por música local e uma bailarina que fazia umas coreografias que não se parecem com nada que tenhamos visto antes. Também fez alguns “movimentos contorcionistas”. O jantar não era farto nem tão bom quanto as refeições anteriores mas ainda assim era saboroso. Talvez não tenha sido má a falta de luz que não nos deixou ver o que tínhamos no prato. Experimentámos um chapati do deserto, feito com uma massa mais escura e um pouco mais rija. Eu gostei e a Margarida, nem por isso.
Depois de jantar deram-nos a escolher entre ficar ali ou ir dormir ao deserto. Todos preferimos as dunas e até lá fomos de carroça puxada a camelo, com a turistada em cima de algo fofo que mais tarde percebermos serem os nossos colchões e “edredões”. E podíamos segurar-nos a uns tubos que afinal eram as nossas camas. Pensávamos que havia uma pequena infra-estrutura “hoteleira” à nossa espera mas afinal era mesmo “sob as estrelas”. Não houve convívio e por isso fomos mesmo curtir o relento da noite, embalados pelo ronronar do camelo. O “motorista dormiu ali ao nosso lado, no chão.

05.09.2014
Às 6h30 acordámos com o dia a nascer e saltámos da cama para arrumar a tralha. Sem “romantismo” subimos para a carroça e regressámos ao hotel para o pequeno-almoço. Duas fatias de pão, um chapati, doce, um ovo cozido, chai (chá preto com leite) açucarado e uma banana, dentes lavados com a “água de ervas” de um depósito e estamos novamente na estrada, rumo a Jaisalmer.
A paisagem continua no mesmo registo, com muitos moinhos de vento, o que não deixa de ser curioso tendo em conta que estamos numa região desértica.
Numa pressinha chegámos perto de Jaisalmer. O Vini perguntou-nos se queríamos ver uma cidade abandonada e pensando que era no caminho e não se pagava, dissemos que sim. Ao chegar à entrada, vendo de fora que tinha pouco interesse, arrepiámos caminho, o que deixou o Vini um pouco azedo pelos 50Km que fizemos de desvio para ver “aquilo”.
Já mais perto de Jaisalmer fizemos novo pequeno desvio para ver um palácio que agora é hotel e que até nos quartos tem piscina. É bonito, é bonito, … e só não ficámos ali a pagar para cima de 1.500€ por noite porque já tínhamos outro marcado 8)
Mais à frente, nova paragem no templo Janista de Amar Sagar, que mesmo ao lado deveria ter um lago mas que nesta altura estava seco. E mais à frente fomos ver o cemitério de Bada Bagh com templos que embora bonitos, estavam bastante pouco cuidados, com muito lixo e garrafas partidas. Finalmente fomos deixar as mochilas ao Hotel Sun Shine onde tomámos o banho que devíamos do dia anterior. E embora não seja uma unidade hoteleira de 1.500€, quando tomamos banho também fazemos uma piscina no quarto :twisted:
Depois de descansarmos 1h30, tempo que deu para escrever o texto de ontem, voltámos a encontrar-nos com o Vini para ir ver a fortificação de Jaisalmer, com torreões em formato de pote de mel, que lhe conferem o nome de “Cidade Dourada”. Isso ou facto da pedra usada ser amarelada (pedra de areia, arenito ou grés). É que isto na Índia, todos os dias são bons para rescrever os guias de viagem :D Mas antes disso fomos almoçar a uma tasca conhecida do Vini, onde comemos muito bem. E incluído no preço da refeição tivemos direito a ver (e fotografar) o processo produtivo do Naan e do Tandoori Chicken.
Depois de almoço conhecemos um guia conhecido do Vini, que supostamente nos iria levar pelas ruas labirínticas da fortificação. Afinal não havia problemas de “navegação” e por isso valeram as informações do homem e a passagem por umas Havelis que provavelmente não iríamos ver, para justificar os 200RP que lhe demos :roll:
O forte é bonito mas por dentro tem demasiadas lojinhas. Agora percebo as indicações de que era dispensável se fosse necessário esse tempo para conhecer outros locais. Terminámos o passeio por volta de 16h30, pelo que sobrou muito tempo que estamos a aproveitar para descansar no fresco do barulhento ar condicionado do quarto. Amanhã começamos às 8h.


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MensagemEnviado: 05 set 2014 15:16 
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Respondendo aos pedidos, podem ver fotografias no .

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MensagemEnviado: 06 set 2014 00:40 
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Continuação de boa viagem, divirtam-se e tudo corra como desejamos. Mãe


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MensagemEnviado: 06 set 2014 17:58 
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06.09.2014
Ainda referente ao dia de ontem, ficou por dizer que a Margarida foi abalroada por uma vaca numa das ruas de Jaisalmer e vimos outra pela qual passámos na maior tranquilidade e que poucos minutos depois passava por nós a galope como se estivesse a ser perseguida pelo talhante.
Houve também uma situação digna de relato e que ocorreu na nossa dormida no deserto. Como não havia almofadas, a Margarida usou a mochila onde tinha guardado um saco de bananas. Imaginem o aparato quando no regresso andou a lavar o que tinha na mochila para remover o batido de banana :D
No final do dia ficámos a jantar no hotel onde aparentemente éramos os únicos clientes. Era dia de folga do cozinheiro principal e por isso estavam limitados aos pratos que o cozinheiro alternativo sabia fazer. Sorte deles que não sabemos distinguir o bom do mau e tudo nos parece delicioso. Pedimos um caril de vegetais e um “qualquercoisa” de lentilhas. Acompanharam uns chapatis de manteiga. Saiu bem! É também oportuno dizer que, para além de um par de vezes que comemos frango, todas as refeições têm sido vegetarianas.
Agora hoje… A hora de saída estava marcada para as 8h30 mas, tal como no jantar do dia anterior, também o pequeno-almoço demorou uma eternidade e meia. Acabámos por sair às 9h num percurso por paisagem em tudo semelhante à do dia anterior. O destaque vai para o almoço que foi feito numa tascozia ainda mais manhosa do que qualquer das anteriores. O Vini acautelou que estávamos prontos para qualquer contingência. A descrição apontava para comida tradicional e serviço “indiano”. Para enquadrar ainda melhor a Margarida pergunta pela casa-de-banho e o Vini pede-lhe para escolher uma árvore das redondezas. Atendiam três irmãos que se moviam em torno de um tio que lia, indolente, um jornal, deitado numa cama. A comida viria daqui a pouco e perdia importância face às oportunidades de fotografar. O homem mexe o leite que ferve na panela… foto. O mano vira o chapati na “chapateira”… foto. Todos pousam e ainda agradecem a importância que dou ao que estão a fazer. Nem imaginam como vibro a cada click, imaginando o que irei ver no computador. Depois vem a comida. Mas não há mesas… Em contrapartida há várias camas iguais aquela onde o tio lê o jornal. Uma tábua atravessada na cama e a mesa está posta. Sentam-se os clientes de pernas cruzadas e em consideração ao turista, colocam-nos uma colher no prato. Não adianta grande coisa porque terminamos com as mãos cheias de gordura, até aos cotovelos. Comemos mais uns “Nem Deus Sabe” de vegetais para molhar em caril de iogurte. Como estava bastante ficante, trouxeram-nos lassi salgado com sementes de cominhos. Estava bom mas avisámos o Vini que poderia ter de fazer paragens de emergência pelo caminho. Contudo, tal não veio a ser necessário. À saída ainda fotografámos um grupo de oito peregrinos que viajavam em duas motos e voltámos à estrada.
Já perto de Jodhpur visitámos o memorial aos mortos da família real de Jaswant Thada. Nesse ponto já se via a cidade, que esperava ser totalmente em tons de azul mas que na verdade só o é parcialmente. As casas começaram a ser pintadas desta cor pelos Brahmin mas depois o processo foi também adotado pelos restantes. A tinta que usam é também misturada com um produto que afasta os insetos. Não sabemos se é verdade mas o hotel estamos não é azul e a bicharada teima em não nos largar.
A seguir fomos visitar o forte Mehrangarh que tem também um magnífico museu e que vale bem uma visita. Durante a visita por várias vezes nos pediram para tirar fotografias connosco. Ora os miúdos, ora os graúdos… aqui somos “minoria étnica” :D E não foi caso isolado porque temos sido bastante fotografados.
Ainda houve tempo para ir até ao Sagar Market e ver a Torre do Relógio, enquanto o Vini foi reparar um furo lento que tínhamos num pneu. Comemos por ali uma shai samosa que para mim estava perto do limite do picante e que a Margarida teve de tirar a malagueta verde que tinha dentro para conseguir comer. Bebemos também uma lassi numa outra tasca onde tínhamos de nos acotovelar para partilhar as duas pequenas mesas de bancos corridos. O mercado valeu mais umas fotos interessantes.
Finalmente viemos para o magnífico Hotel Krishna Prakash Heritage Haveli que tem vista para o forte e até tem uma piscina interior. No bar bebemos uma King Fisher e picámos umas coisas escolhidas mais ou menos de “olhos fechados”, enquanto escrevíamos o relato de hoje.
Amanhã saímos às 8h30.

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MensagemEnviado: 06 set 2014 18:19 
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Grandes turistas, é só diversão. Ao que parece a Margarida já faz toureio e não precisa de máquina para fazer batidos. :lol:


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MensagemEnviado: 08 set 2014 14:52 
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07.09.2014
Ontem ficou por dizer que na última curva antes do hotel, demos um encosto a uma moto que estava estacionada na curva. Pareceu-me que o espaço era curto mas o Vini acreditou e… deu-se mal. Moto novamente ao alto, rearrumada e estamos no pátio do hotel.

Hoje comemoramos a primeira semana de viagem sem incidentes intestinais. E bem que têm sido sujeitos a alguns desafios.
Saímos à hora combinada depois de um pequeno-almoço que em pouco difere dos anteriores. Esperava-nos um percurso de pouco mais de 300 Km, o que tem sido mais ou menos a média diária. A temperatura baixou ligeiramente e hoje tivemos direito a um pequeno aguaceiro pelo caminho. A paisagem é agora mais verde e vemos pessoas a cultivar os campos que aqui e ali estão alagados. Pode significar que iremos finalmente deixar de ver lagos secos mas também que nos aproximamos de maiores probabilidades de chover. Se nos abstrairmos dos detalhes, podemos facilmente imaginar-nos em Portugal.
Com frequência passamos por motos que transportam três pessoas. Eles podem levar a mulher, mas também têm de levar a sogra. As mulheres vão sentadas de lado, com as pernas viradas para o lado esquerdo. Mais à frente um novo recorde… vão cinco numa moto… até o Vini se ri.
Apontamos aos templos de Ranakpur, antes de rumarmos a Udaipur. A paisagem é agora de montanha. Pelo caminho começamos a ver pessoas polvilhadas de cor-de-rosa. Estamos em plena festa do deus Ganesh em que os hindus atiram pós coloridos em jeito de comemoração. São às centenas, apinhados em camionetas, tuc-tucs e tratores e dirigem-se ao templo. E não precisam estar parados para “comemorar”. Por duas ou três vezes somos atingidos por mãos certeiras. Os vidros vão fechados mas a festarola não deixa o Vini propriamente satisfeito porque na primeira oportunidade vai ter de limpar o carro para conforto do turista.
Chegados aos templos pagamos a entrada e o direito de fotografar. Ligamos os audio guides e vamos para o local onde temos de deixar os sapatos. Também tivemos de colocar mais roupa em cima da pele, ou não poderíamos entrar. Ouvimos a primeira informação do guia audio que nos fala dos janistas e da sua forma de estar na vida. Crentes despojados de bens materiais para quem o dinheiro não tem valor. Ao entrarmos somos recebidos pelo sacerdote supremo do templo que nos cumprimenta com um namasté, nos abençoa e nos pede um donativo para a causa, que pode ser de qualquer valor… 100, 200… recebe 20! Mas afinal onde está o desligamento dos bens materiais? Explica que a sua família está incumbida de tomar conta do templo, durante 600 anos, sem receberem salário. Marca a bênção com um unguento cor-de-laranja que nos coloca na testa. Estava distraído a fotografar enquanto a Margarida era “abençoada”. Quando olhei para ela, a primeira coisa que me veio à cabeça foi que um passaroco que lhe tinha dado as “boas vindas”, com uma precisão milimétrica entre os olhos, depois de ter comigo os restos de um caril. :-)
Antes de entrarmos fomos revistados e até, um pouco apalpados. Como só tinha bilhete para uma câmara, queriam que deixasse para trás a GoPro. Insinuando que não sabiam o que diziam, expliquei que se tratava de um light meeter, acessório da máquina fotográfica, tal com a segunda lente. Aceitaram e já nem questionaram o GPS. Mas a garrafa de água ficou ali, tal como ficaria o cinto ou qualquer outra peça de couro.
O templo de mármore branco merece efetivamente uma visita. Por fora ou por dentro, incluindo os tectos, todos os espaços disponíveis estão esculpidos por mãos artistas. A luz é difusa e cria uma atmosfera intimista, própria para a oração e… para a fotografia :-)
No regresso passamos no guichet para entregar os audio guides e recolhermos o cartão de cidadão da Margarida que ali foi deixado como caução. Tentamos ajudar dizendo que somos português e apresentam-nos um cartão de um João Pedro. Ou seja, no silêncio do templo não conseguimos identificar um conterrâneo que por ali andava. Deixámos uma mensagem de perfil jocoso e um contacto para o caso de ser outro “homo sociabilis”. Saímos dali por uma estrada de montanha muito arborizada, rodeados de verde e frequentemente por macacos. Estamos num local que se poderia comparar à Ilha da Madeira, parque de wild life.
Paramos para almoçar num restaurantezeco indicado pelo Vini, o mais caro até ao momento, apesar de termos comido bem. Pagámos 760RP. Depois retomámos pelo mesmo tipo de estrada, até sairmos da montanha e regressarmos a estradas normais. Apanhámos até um pouco de auto-estrada com duas faixas de cada lado. Na nossa tivemos direito a um carro em contramão. Comentámos que em Portugal daria lugar a polícia e abertura de noticiário ao que ele respondeu com a maior calma… na Índia tudo é possível.
Chegámos finalmente ao hotel Sargam Sadan, que fica junto às washing ghats do Lago Pichola, em Udaipur, um dos melhores até agora. Ficaremos aqui duas noites. Aproveitámos o final do dia para fotografar junto ao lago, naquela a que os fotógrafos chamam de “a hora mágica”. Num pequeno ghat, muito próximos uns dos outros, tomam banho, lavam tuc-tucs, lavam roupa, fazem rituais religiosos e pescam. Tudo no mesmo lago onde de dia passeiam turistas.
Mesmo ao cair da noite podem ver-se bandos de papagaios que passam sobre o lago, provavelmente com destino ao local de pernoita. E da janela do quarto, em jeito de variedades, na boa descontra indiana, vemos um gajo a arriar as calças para se desfazer dos “pecados terrenos”.
Amanhã vamos andar um pouco por nossa conta, a conhecer Udaipur.

08.09.2014
Ontem tivemos um problema com o site do projeto Rituais. O domínio expirou, situação que já ocorreu três vezes e, por sina, sempre que estou de férias. Mas com a ajuda do Paulo Serol e da Andreia Henriques, depois de um trabalho conjunto entre os escritórios móveis do Rituais na Índia e Londres, lá conseguimos resolver a questão. Mas este tema ainda teve direito a uma curiosidade. Neste hotel só temos WiFi na receção e no restaurante. Por isso tive de ir de portátil para o andar de baixo. O corredor estava escuro e não localizei o interruptor. Então andei a enxotar sapatos dos empregados que dormiam no hall das escadas. E ao chegar à receção, sentei-me no sofá que era também a cama do rececionista. E como não resolvi a situação sozinho, voltei ao quarto para apanhar o telemóvel que ali tinha esquecido e repeti todo o processo para falar por Viber com estes nossos amigos em Londres. Era 1h da manhã.

Hoje saímos pela fresca, a pé, para visitar Jagdisch Temple, o Bagore-Ki-Haveli, o City Palace Complex e abdicámos do museu porque as nossas notas diziam que não valia a pena. Fizemos também um tour de barco no lago Pichola, nome que a Margarida “trocou” acidentalmente durante o pequeno-almoço e nesse percurso passámos nas ilhas Jagniwas e Jagmandir para ver os respetivos palácios. Depois, no regresso ao hotel onde tínhamos combinado com o Vini encontrar-nos às 14 horas, apanhámos mais uma comemoração do deus Ganesh. Música alta, muita gente coberta de pó vermelho e petardos a rebentar no chão. A Margarida encostou-se numa parece e eu “misturei-me”, tentando que não me “misturassem”. E quando achei que estava a abusar da sorte, procurei refúgio num ponto alto, o que também me deu outra perspetiva fotográfica. Estávamos com pouco tempo para a hora combinada e o caminho estava bloqueado. Por isso procurámos uma alternativa, que não correu bem. Tivemos de retroceder uma distância razoável e acelerar o passo, driblando motos e o povão que connosco partilhava as ruas estreitas de Udaipur.
Chegámos finalmente ao hotel e o Vini levou-nos a almoçar num local especial. Em bom rigor tínhamos visto nesta viagem uma boa oportunidade de perder uns quilitos. Mas os desígnios do destino, escritos por linhas tortas, reservaram-nos um guia que gosta de comer e que por isso nos levou (novamente) a um “rodízio indiano”. Ou seja, a comida é tradicional mas os empregados vão passando e deixando. E a dificuldade é que os pratos que não conhecemos são mais do que muitos.
Depois do almoço fomos ver o jardim Sahelion Ki Bari, que é bonito mais talvez não justifique a deslocação e regressámos ao hotel para descansar e recuperar a reportagem pendente de ontem. Amanhã vamos sair pelas 8 horas, a caminho de Pushkar.

Nota: Ontem foram carregadas e daqui a poucos minutos será carregado novo lote.

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MensagemEnviado: 08 set 2014 17:17 
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Mais uma boa reportagem, digna de um grande jornalista profissional. Na verdade estava um pouco apreensivo porque não conseguia ter acesso ao Rituais. Então a mãe entrou em contato com a Andreia que nos disse estarem a resolver o assunto e que podíamos estar descansados por estava tudo bem convosco. Daqui quero agradecer ao Paulo Serol e á Andreia pela disponibilidade que tiveram (em horas tardias) em resolverem a situação para que possamos ter o prazer de receber noticias dos turistas aventureiros Paulo Alves e Margarida Cruz por terras da India. Abreijos aos Serois. Bjs aos nossos meninos Paulo e Margarida


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MensagemEnviado: 08 set 2014 17:35 
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Boa malha! Estive aí a solo em 2011, durante quase um mês, e adorei!
Espero que façam umas viagens de comboio. Valem muito a pena!


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MensagemEnviado: 09 set 2014 18:23 
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09.09.2014
E ao décimo dia, o céu desabou! :( Às 6h45 quando acordámos, chovia copiosamente. Pensei… mas quem é que quer acordar e ir para a rua com este tempo? Aparentemente ninguém porque depois de passarmos no hall da escada onde os empregados dormiam enrolados em cobertores, subindo ao restaurante, também ali não havia vivalma. Desci à receção e acordei o rapaz que dormia no sofá. Pediu 20 minutos que não tínhamos. Expliquei que tínhamos de sair às 8h. O ensonado cozinheiro chegou ao restaurante ainda a limpar remelas e preparou um atabalhoado pequeno-almoço que “sorvemos” no tempo que já não tínhamos. Entrámos para o carro às 8h30, explicando ao Vini o que tinha acontecido. Também ele teve o mesmo problema e por isso estava em jejum. Talvez pense duas vezes antes de nos voltar a fazer acordar tão cedo :(
Saímos na direção de Pushkar, por estradas boas para pagaiar de kayak. O Vini pensava muito antes de tomar a iniciativa de passar. Mas se outros passavam, não seriamos nós a ficar e… lá íamos progredindo até sair da cidade. Ainda antes de passarmos o templo de Eklingji, em estrada de montanha, a chuva intensificava-se e dos penhascos caiam grandes cascatas de água que transpunham a estrada, arrastando pedras, fazendo com que o percurso fosse verdadeiramente dramático. Passámos o templo sem vontade de o ver por dentro. Na verdade começamos a ficar um pouco saturados de tanto templo e por isso este foi passado com um “é bonito, é bonito”. Por essa altura estávamos já a descer a montanha, o que facilita a progressão. Quem sobe tem um problema maior porque frequentemente perdem “momentum” e têm de parar, embarrilando tudo e todos. Quanto à menor dificuldade de quem desce, o Vini não parecia querer concordar. Em determinada altura, perante uma maior extensão de estrada submersa, decidiu encostar e esperar por uma benesse de Shiva. Mas a deusa também deveria estar recolhida da chuva e por isso tivemos de lhe dar um “empurrão menos espiritual”. É água a meia-roda, disse. Entras em segunda e segues uma linha recta até sairmos da água. Confia!... Confiou. Saímos. Até agora a mecânica não tem dado grandes motivos para relato. Um furo e um problema elétrico na alimentação da ventoinha, não é mau para este tipo de estradas.
Saímos finalmente da montanha e a chuva começou a dar tréguas. Finalmente alguns raios de sol e o calor de regresso. Paramos num restaurante de beira de estrada para a Margarida “verter águas” e quem encontramos…? Novamente um casal de búlgaros que conhecemos há dois dias num restaurante e que sistematicamente temos vindo a encontrar aqui e ali.
Chegámos a Pushkar por volta das 16h, depois de termos parado para almoçar e fotografar uns búfalos de água. Esta é uma das cidades sagradas dos hindus, com muitos sadhu e no lago desta cidade foram lançadas as cinzas de Mahatma Gandhi. O lago tem 52 ghats onde os peregrinos vêm concretizar os seus rituais. Já próximos do lago, resistimos a várias tentativas de nos colocarem pétalas na mão. Mas mais à frente, perante a insistência e porque o interlocutor parecia um sacerdote hindu, acabámos por aceitar. Apontaram-nos um pequeno desvio e mesmo sabendo que deveríamos seguir em frente, como dali se via o lago, aceitámos como boa a indicação. Ao chegarmos ao lago o tal “sacerdote” leva-me para junto da água e outro leva a Margarida para poucos metros dali. Envolvem-nos no ritual, que aceitamos por respeito e curiosidade. Pedem para repetirmos uma lenga-lenga e vamos lançando pétalas para a água. O ritual alonga-se e eu começo a ferver porque estou a perder luz para fotografar. Deito uma vista de olhos à Margarida, que parece estar tranquila. O meu “padreco” bezunta-me a testa com um óleo colorido, que deixo por não parecer óleo de motor queimado. Fervo mais um pouco enquanto me metem um pó vermelho nas mãos. E a fervura entra em ebulição no momento em que finalmente se revela e me pede dinheiro. Diz que os estrangeiros frequentemente contribuem para a causa nas suas próprias moedas e dá como exemplo, 100 ou 200€. Pergunta-me quanto quero doar e, perante a insistência, para me deixar em paz, digo que lhe dou 20 rupias. Abre os olhos e diz que isso não paga o coco e a pulseira de linha que me ia dar um acesso direto ao nirvana deles. Caramba, pelo valor que queria, apanho um avião e não preciso da ajuda dele. Cheguei então ao meu limite… entreguei-lhe o coco e levantei-me explicando que tinha uma missão fotográfica a cumprir. Respondeu-me que sem a bênção dele não podia fotografar. Mas pagando já podia, querem ver? Alertei a Margarida de que ia acabar com aquela fantochada, dei meia-dúzia de passos pelas escadas acima e para marcar posição, bang, fotografei todo o serviço de “venda de time sharing no nirvana”. Calçámo-nos numa pressinha e a contribuição foi como “um sopro de vento”. Enquanto subíamos a Margarida comentava que tudo aquilo era muito estranho e que só não se levantou porque eu também parecia calmo. Afinal terem-nos separado deve fazer parte do “esquema”.
Nas outras ghats o ambiente estava completamente diferente. Era tranquilo e familiar. Apenas nos alertaram que tínhamos de andar descalços, o que não nos agradava nada, dada a imundice. Mas que tínhamos de respeitar. Passámos por isso a estar mais atentos ao eventual contato direto com as poias de vaca, de pomba e osculações humanas. A Margarida ainda levou um par de meias, mas eu gosto mesmo “ao natural” :)
De uma forma geral as pessoas aceitam e gostam de ser fotografadas. Frequentemente chamam a Margarida para ser fotografada com eles. Agora com o mulheriu, depois com o bebé ao colo e mais à frente com a miudagem como se a “stora” estivesse a liderar uma visita de estudo aos ghats. E muito detalhe haveria para registar se não fosse o céu ter novamente desabado nas nossas cabeças. Recolhemos a um ponto mais abrigado, em franca comunhão com o gado bovino. Fazemos mais uns retratos e paramos por ali porque não convém abusar num local onde é proibido fotografar :)
No regresso ao hotel a coisa não foi fácil, as ruas estavam completamente alagadas e não há como evitar a imersão até ao tornozelo. Não deixa de ser uma coisa boa segundo a opinião local porque lava toda a espécie de merdalejo que esteja espalhado pelas ruelas. No meu caso que levei sandálias, entra pelos buracos e sai pelos mesmos. No caso da Margarida que levou ténis, entra por um lado e já não entra mais por falta de espaço. :)
Estamos agora no Hotel Pushkar Heritage, unidade que faz jus ao espírito local. Ou seja, é uma boa m*. Já deve ter tido os seus dias, eventualmente quando foi construído. Depois esqueceram-se do “detalhe” da manutenção e o termo “decrépito” ajusta-se à atual situação. Mas ainda assim fomos bem recebidos pelo malhadinhas e pela tartaruga que toma conta das águas verdejantes da piscina.
Amanhã saímos pelas 9h na direção de Jaipur, se encontrarmos alguém acordado para nos servir o pequeno-almoço.

PS: Mikas, comboio vai ser depois de Agra e até khajuraho (site das berlaitadas) e depois para Varanasi

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MensagemEnviado: 10 set 2014 15:16 
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Boa boa! Não fiz praticamente nada do Rajastão a não ser Jaipur, que gostei muito. O resto acaba por ser tudo muito repetitivo.
Gostei muito de Khajuraho porque é muito pequeno e calmo, comparativamente com o resto. A zona dos templos também é das coisas mais bem mantidas que vi lá. Aluguem uma bicicleta lá.

um preview dos templos :P :



A minha primeira "barbeadela" foi lá :D



Em Agra vão beber umas lassis ao Joney's, perto do Taj Mahal. As de banana são das melhores que bebi :D

Em Varanasi tive uma sorte do caraças porque, por coincidencia, apanhei o Dev Deepavali, um festival da lua cheia que acontece entre Nov e Dez



Ah, e os "chai" valem sempre a pena em qualquer lado (mesmo nos gajos que andam a vender pelas estações de comboio e/ou rua)


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MensagemEnviado: 11 set 2014 16:49 
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Sim, ao fim de algum tempo é mais do mesmo. Mas para quem anda a procurar motivos para fotografar, é no detalhe que encontra 'alimento'.
Temos bebido alguns lassis e estou fã incondicional. E chais massala é a toda a hora...
Quanto a fazer a barba, isso é coisa de menino :) a unica desculpa que tens é pela coragem de deixares que te metM uma naifa no gasganete.

PS: tenho dois dias de relato para carregar mas só me consigo ligar neste hotel com o iPhone. Creio que por incompatibilidade do router com clientes windows 8, nao consigo ligar-me com o computador. Por isso... Aguardem por melhores dias

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MensagemEnviado: 12 set 2014 18:00 
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10.09.2014
Saída às 9h porque o caminho até Jaipur era mais curto. Sem história até ao destino.
Chegados ao Hotel Suryaa Villa, estava calor e por isso, largámos as mochilas no quarto e a roupa suja na lavandaria e… chuá! Piscina com eles. Depois, almocinho servido na mesa mais perto da água e o resto do dia foi passado a rever o percurso daqui para a frente e a reservar alojamento em Varanasi e Goa. Tributo ao Luís Lourenço que nos deu boas dicas de Goa e também ao Viber que anula as distâncias. :) Resta dizer que o hotel é porreirinho. Amanhã “pegamos” às 8h.

11.09.2014
Saímos à hora combinada para ver a Pink City. Primeira paragem no Wind Palace cuja fachada impressiona com os seus curtos balcões salientes. Depois fomos ao Amber Fort, subindo a pé num percurso que por várias vezes cruza com elefantes que transportam turistas aborregados no dorso. A utilização do autopaquiderme é cara e o percurso é curto e apenas de ida. Optámos por isso por aturar os vendilhões que flagelam o turista forreta com ofertas de paninhos estampados e outras bugigangas. Numa das vezes que driblávamos estes simpáticos trombudos, ouvimos lá cima um “Helloooo”. Eram novamente os nossos amigos búlgaros, Ivan Kasabov e Eleonora Vasileva que já seguem o Rituais ;)
Lá em cima o forte oferece-nos recantos e múltiplos caminhos labirínticos para descobrirmos. E apresenta também detalhes de muitas cagadeiras do tempo do marajás, banhos turcos, salas de prazer e até uns morceguinhos para dar alento à Margarida que nesses locais parece ganhar renovada energia :) As vistas dos pontos mais altos justificam o calor intenso que tivemos de suportar e o suor que nos encharca.
Regressados ao carro e ao ar-condicionado, fomos ver um cemitério com bonitos memoriais de mármore que homenageiam os mortos que ali não estão.
Depois, enquanto o Vini foi reparar outro furo, nós fomos fotografar o Palácio do Lago, onde os locais alimentam peixes e mergulhões, aparentemente com o mesmo tipo de pão que nos servem ao pequeno-almoço 8) Por esta altura estávamos a derreter e por isso, lá vai mais uma garrafa de água gelada.
Por sugestão do Vini fomos ver uma demonstração de estampagem manual em tecido. Seca! No regresso ao carro, era o dilúvio. Chovia que Shiva a mandava. Decidimos por isso ir almoçar para ver se a coisa abrandava. Piorou! Passámos no City Palace com um “é bonito, é bonito” e rumámos ao Jantar Mantar que é Património da Humanidade, conforme classificação da UNESCO. A chuva não nos desmotivou porque este é um spot que não se pode perder. E é efetivamente uma pena a chuva porque o local é impressionante e o tema roda exatamente em torno do que não havia: Sol. Naquele local percebemos o conhecimento que tinham naquela época e a competência para calcular distâncias, medir tempo e estudar a astrologia. Tudo isto com construções de pedra e instrumentos de ferro que produziam sobram que eram lidas em escalas de enorme precisão.
Antes de regressarmos ao hotel, ainda passámos no Albert Hall Museum que fotografei da janela do carro e parámos para ver uma explicação sobre a forma como lapidam e fazem o polimento de pedras preciosas. Seca!
Já no quarto do hotel, fizemos o estendal do costume e isto parece um acampamento de Lelos.
Amanhã saímos às 8h30 em direção a Agra.

12.09.2014
Hoje começámos a jornada pelas 8h30 com um dia bonito. Alguns quilómetros depois de sairmos de Jaipur entrámos numa estrada estreita que subia por uma envolvente muito verde, vendo-se com frequência pavões selvagens junto à estrada ou mais para o meio do mato. As dicas que trazíamos connosco indicavam que o Monkey Temple só valia a pena se pretendêssemos ver macacos em ambiente selvagem. Pretendiamos sim. Mas ao chegarmos ao local acabámos por nos surpreendermos com a estética dos edifícios religiosos que, embora sujos e um pouco degradados, eram bem bonitos. Mas o tema era “monos” e desses tínhamos em quantidade. Logo à entrada uma mulher protegia um campo agrícola, afugentando os símios que saiam dali mas debaixo de sonoro protesto. Bem engraçado ver as mães com os pequenotes pendurados ou as brigas espontâneas de que rapidamente se fartavam.
Adquirimos o direito de fotografar por 50RP e entrámos. Havia efetivamente macacada por todo o lado. Irrequietos e inconvenientes, subiam pelas paredes e entravam pelas janelas dos tempos. De vez em quando alguém os afugentavam, para logo a seguir começarem a atazanar noutro local próximo. Subimos até a um local onde os locais iam tomar banho num tanque. Subimos mais um pouco, recusando os diversos convites dos religiosos para entrar nos templos. Nesta matéria já temos quanto basta e para além disso estamos fartos de pagar em todo e qualquer lugar onde entramos. Além disso, há preço para indiano e para a turistada o ingresso no mínimo duplica de preço, sendo por vezes exponencialmente mais caro. Fotografo que nem menino em loja de brinquedos. Esta quero, aquela também e logo a seguir mais uma careta e mais uma foto. Numa rápida contagem, já vão para cima de 1700 bonecos.
A Margarida não é propriamente entusiasta desta proximidade com a bicharada e por isso, quanto um local atirou comida para um degrau a seguir aquele onde tínhamos os pés e a macacada veio pic-nicar toda ao mesmo tempo… foi hora de “dar à soleta”. O único problema foi que entre a “soleta” e o carro estava “montado um belo circo”. Passámos de fininho sem prejudicar o snack e depois acelerámos o passo dali para fora.
A seguir apontámos baterias para Chand Baouri. Fomos surpreendidos com uma entrada gratuita, num dos locais mais bonitos em que já estivemos aqui na Índia. Trata-se de um poço de água retangular cujo acesso efeito por lanços de degraus em todas as direções, que infletem fazendo formas geométrica com desenhos em simetria perfeita. Há também um edifício de pedra muito antigo com pequenas varandas e decorado com imagens de pedra trabalhada. Valeu bem a paragem.
A seguir seria Fatehpur Sikri cuja entrada já custou 250RP. Ao contrário de outras classificações como Património da Humanidade pela UNESCO que noutros locais não reconhecemos razão, aqui vale a atribuição. Os edifícios desta antiga cidade, abandonada pouco tempo depois da morte do seu fundador, de cor ocre, esculpida com ricos detalhes que parecem ser pintados, conferem ao local uma atmosfera que nos transporta facilmente para a época em que ali vivia gente. Num dos edifícios vemos alguns animais sem cabeça, que no seu tempo eram feitas de pedras preciosas e que por isso foram roubadas. Damos ainda uma rápida vista de olhos a uma bonita mesquita mas está muito calor e o stock de água está no fim. Regressamos por isso ao autocarro que nos leva ao carro e ao conforto do ar-condicionado.
A partir dali resta tentar chegar a Agra a tempo de ver o Baby Taj Mahal, o que acabamos por conseguir “in extremis”. Fazemos umas fotografias e vemos aquilo um pouco à pressa. Para sair já tivemos de usar a porta alternativa que se abre no interior do grande portão.
Estamos agora no Hotel M House, uma coisa “rechuminga” que concorre pelo pior lugar, a par com os hotéis em que ficámos em Delhi e Pushkar.
Amanhã estamos a apontar sair para o Taj Mahal às… 6h45! Ui, dói. Quase não vale a pena dormir… Será o último dia contratado em formato “dondocas” e a noite a seguir será passada no comboio a caminho de Khajuraho 8)

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MensagemEnviado: 12 set 2014 21:09 
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Sim sr. rica vidinha. Boa continuação. Bjs


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MensagemEnviado: 15 set 2014 18:12 
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13.09.2014
Saímos até antes da hora prevista, com os olhos esbugalhados e ainda cheios de remelas. Em jejum, dirigimo-nos à entrada Oeste do Taj Mahal, que fica a cinco minutos a pé, do hotel. Já encontrámos fila, que separa indianos de ocidentais e por sua vez, homens de mulheres. Eles pagam 20RP e nós pagamos 750RP. A porta de entrada é a mesma. Não levamos mais nada para além de dinheiro, água e máquina fotográfica. Oferecem uma pequena garrafa de água e capas para os sapatos, a usar no mausoléu, onde a alternativa seria entrar descalço.
Quando entramos, o dia acaba de nascer mas ainda não há sol pelo que o calor é suportável. Estão cerca de 27 graus. Passamos um primeiro pórtico, depois do qual toda a gente tira as primeiras fotografias. A primeira impressão é que o mausoléu é um edifício relativamente pequeno, mas à medida que nos aproximamos, essa impressão vai-se gradualmente desvanecendo. O Taj não se mexe mas somos compelidos a fotografar cada nova perspetiva. Alguns passos… foto! Um pouco mais ao lado, foto! Nós e o Taj… Foto! Vemos o Vini, que neste dia também vestiu a camisa de turista. E depois, os nossos amigos búlgaros. Foto de grupo e o Taj! Depois de calçarmos as “pantufas” por cima das sandálias, já no patamar de acesso ao mausoléu, ouço falar português e provoco o contacto. Conhecemos um casal de brasileiros que anda a viajar durante dois anos e procura locais onde possam fazer trabalho voluntário. Comentam as dificuldades que têm sentido porque para além de trabalharem sem remuneração, ainda lhes cobram a estadia. A obra impressiona, sobretudo pelo mármore trabalhado, com desenhos encastrados na pedra, com pedras semipreciosas, de outras tonalidades, vindas de várias partes do Mundo.
O calor começava a apertar forte e feio e por isso regressámos ao hotel para tomar outro banho e o pequeno-almoço. A seguir seguimos com o Vini para o Agra Fort. Agora, fora da “redoma” com quadro rodas e ar-condicionado que nos proporciona abrigo, está um calor infernal. Mas turista mochileiro nasceu para sofrer e por isso não nos queixamos. Também não teríamos a quem. Compramos bilhetes, que neste caso tinham 50RP de desconto contra a apresentação dos bilhetes da visita anterior e entramos. O forte tem basicamente duas partes, construídas por diferentes marajás, uma delas de tons ocre e a outra onde predomina o branco do mármore. Neste último os desenhos embutidos, seguem o mesmo processo que vimos no Taj Mahal. Interessante ver os locais onde outrora a realeza tomava banhos e descansava do nada fazer, ouvindo os murmúrios das fontes onde corria água trazida manualmente pelos escravos.
Saímos dali, novamente na direção do hotel, onde finalmente nos despedimos do Vini e o libertámos do compromisso de nos aturar. Ao fim destes dias com ele, a despedida teve inevitavelmente uma ligeira quota de emotividade.
O resto do dia foi passado a tentar driblar o calor e os vendedores de bujigangas, num enorme tédio por já não termos nada de novo para fazer. Ainda fomos almoçar a um local indicado no Lonely Planet, o Joney’s, que indicam como tendo uma excelente lassi e num outro tomámos um chá e bebemos uns refrigerantes, apenas para consumir tempo. A propósito do Lonely Planet, já vimos escrito num outro restaurante, “recomendado pelo Lonely Plant”. :) Jantámos no restaurante do hotel, onde fomos visitados por um ratinho branco que passava facilmente por baixo da porta. Também ele devia gostar do ar-condicionado. Pelas 22h fomos levados por um substituto no Vini, que fez o “drop off” na estação de comboios. Tínhamos tempo mas ainda assim validámos várias vezes a plataforma onde chegaria o nosso comboio. A estação é um caos de pessoas a dormir no chão e lixo por todo o lado. Temos o cuidado de escolher cadeiras para nos sentarmos que não tenham restos de comida. O comboio chega finalmente. Entramos e encontramos pessoas já deitadas nas nossas camas. Confirmamos que têm os bilhetes das camas que acabamos por aceitar por troca. No compartimento ao lado algumas pessoas estão animadas, não parecendo querer dar descanso aqueles que já tentam dormir. Chega um casal de simpáticos brasileiros que vai partilhar o nosso compartimento. Metemos conversa com o Márcio e a Carol e somos convidados pelos indianos do lado a partilhar a comida que trazem. Os brasileiros aceitam e nós declinamos. Estamos estoirados e precisamos dormir alguma coisa. Não há espaço específico para as mochilas que por isso têm de partilhar a cama connosco. Ficam a sobrar pernas para tão pouca cama. Ainda assim, adormecemos.

14.09.2014
Acordamos com as primeiras luzes da manhã. Rapidamente somos compelidos a fechar as camas. Percebemos que na cama de cima temos um guru religioso e explicam-nos que o grupo vai em peregrinação para o mesmo destino que nós e são efetivamente todos da mesma família. Falamos de costumes, religião e castas. São muito simpáticos e por isso proporcionam-nos uma boa experiência. Chegados ao nosso destino, decidimos partilhar um tuc-tuc com o Márcio e a Carol e fomos reservar um quarto de hotel para podermos tomar banho e descansar um pouco ao final do dia, antes de voltarmos ao comboio. Fomos visitar os templos de Khajuraho juntos e mais logo seguimos juntos para Varanasi. Depois de almoço demos mais uma volta pela parte velha da povoação, seguidos de perto por pretensos guias e miúdos que nos pedem dinheiro e quando finalmente nos fartámos, regressámos ao hotel onde estamos a tentar sugar algum fresco à noite. Daqui a pouco vamos jantar, tomar mais um banho e procurar um tuc-tuc para nos levar ao comboio das 23h40.

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MensagemEnviado: 18 set 2014 21:01 
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15.09.2014
Depois de uma viagem noturna mal dormida, num comboio com o ar-condicionado muito forte, chegámos a Varanasi com duas horas de atraso. Mas o tuc-tuc que deveria fazer o nosso pickup, estava lá à nossa espera. Agora éramos quatro e por isso necessitámos de dois tuc-tuc. Fomos levados pelo meio de um trânsito incrivelmente denso onde rapidamente nos perdemos por dois caminhos distintos. Se adicionarmos o calor, o sono e o fumo dos escapes, chegamos facilmente a um fórmula deprimente que me deitou por terra. Estava com muita vontade de chegar ao hotel e descansar. Depois de uma paragem para um chá para o qual fomos convidados e no fim do qual nos pediram 15RP como pagamento, o que incluiu o chá do motorista que nos tinha convidado, entrámos a pé por ruas labirínticas e muito estreitas. Circulávamos com grande dificuldade, concorrendo por espaço com centenas de peregrinos que se dirigiam ao Golden Temple e ao Lalita Ghat. O chão estava uma imundice mas por esta altura já não ligávamos ao tema. O templo está mesmo em frente ao acesso ao hotel e consequentemente esse local é um verdadeiro gargalo pelo qual só passamos, com as nossas mochilas às costas, depois de muita insistência.
Chegamos finalmente ao hotel, que na primeira impressão parece ter-se tratado de um erro lamentável. Tem uma atmosfera um pouco manhosa, embora na verdade seja um verdadeiro oásis tendo em conta a envolvente pela qual tínhamos acabado de passar. O dono do hotel, percebendo que éramos quatro, explicou que não tinha mais quartos disponíveis. No entanto disponibilizou-se para tentar arranjar um quarto num outro hotel. Como no dia seguinte já teria um quarto disponível, perguntámos se não conseguiria meter mais uma cama no nosso quarto. Conseguiu! No final do processo começou a chover e a água caia a fio dentro do quarto. Com uma tranquilidade indiana, comentou que nunca tinha acontecido aquilo e que ia resolver. Saímos então para ver os <i>burning ghats</i> e um passeio de barco que iria incluir um ritual hindu que por sorte se realizava naquele dia, às 19h, e que poderíamos assistir a partir do barco. Foi uma atividade interessante mas uma desilusão em termos fotográficos. É que para assistir ao espetáculo, marcámos o início do passeio para as 17h30. Com mais alguns atrasos, quando finalmente estávamos no rio já a luz para fotografar era miserável. De qualquer forma valeu muito a pena.
De regresso ao hotel, ao cumprir a rotina de retirar da mochila os objetos do costume, verifiquei que me faltava o disco externo que levava para backup das fotografias da viagem e onde tinha também todo o meu portfolio e uma grande quantidade de documentos pessoais. Embora tenha redundância desta informação, na verdade trata-se de conteúdos que não deveriam estar em outras mãos para além das minhas. Expliquei por isso o assunto ao dono do hotel onde estava e pedi-lhe para ligar para o hotel de Khajuaho a confirmar que lá tinha ficado, o que depois de algumas chamadas, acabou por se confirmar. Disseram que no dia seguinte iriam verificar o preço para enviar por correio para Varanasi e dali o dono do hotel tinha-se comprometido a enviar para Portugal. Com tudo isto fomos procurar local para jantar, às 23h. Pelas ruelas labirínticas e quase que assustadoras de Varanasi, só encontrávamos escuridão e portas fechadas. Já quase fora da zona histórica encontrámos um simpático velhote que nos levou à tasca do filho. Comemos <i>paneer dossa</i>, uma espécie de crepe recheado com queijo e outras coisas impercetíveis, bebemos um lassi e comemos uns doces, terrivelmente doces. Enquanto esperávamos pela refeição, fomos abanados por um velhote com ar alucinado e assistimos ao limpar da casa para encerramento e com preocupação verificámos que as cinzas do <i>tandor</i> e o lixo do chão e até o entulho de uma vala próxima, eram apanhados com tabuleiros iguais aqueles com que nos serviam a comida. Suponho que s tratou de uma coincidência. Regressámos ao hotel, recuperando o percurso em sentido contrário, baseando a orientação em referências visuais e finalmente fomos dormir.

16.09.2014
Quando acordámos chovia copiosamente e novamente a água voltou a cair no quarto. Procurámos vasilhame disponível mas que não chegou para apanhar tanta goteira. Com a chuva que caiu, os macacos que nos disseram virem de manhã para o terraço junto ao nosso quarto, não compareceram ao encontro. Ficou por usar a fisga que tinham pendurado numa cadeira de baloiço. Tomámos o pequeno almoço no hotel e voltámos a pedir papel higiénico que o quarto não tinha. Em resposta perguntaram-nos porque não o comprávamos na rua. O dono do hotel confirmou que o nosso quarto não estava em condições e como já havia outros disponíveis, passámos para outro. Explicou que o quarto era um pouco mais pequeno mas de resto também tinha ar-condicionado, que apenas não funcionava porque não havia eletricidade. As quebras de luz eram constantes e em consequência não havia água porque a bomba não enchia os tanques. Em resumo, com o calor que estava, não havia forma de tomar banho e a sanita assumia verdadeiros padrões indianos. Em desespero a Margarida pretendia tomar banho com água engarrafada. Saímos para ver o Lalita Ghat e pelo caminho fomos obrigados a encostar-nos à parede, subindo uns degraus para deixar passar um apressado cortejo fúnebre, sendo que o falecido vinha numa padiola enflorada e, com os movimentos de quem o transportava, abanava a cabeça num veemente “não” como quem não quer ir para a fogueira. Estávamos à mesma altura do cadáver, pelo que nos passou mesmo em frente aos nossos ocidentais narizes. Não ficámos muito tempo no Lalita Ghat porque o “espetáculo” das fogueiras eternas é deprimente e no meu caso específico, também porque não posso fotografar naquele local :)
Para desanuviar fomos beber uns lassi no local mais famoso de Varanasi, segundo o guia. A lista de alternativas era enorme e a casa era original pelo facto de o rapaz estar sentado de pernas cruzadas, virado para a rua e de costas para os clientes sentados no interior. Aqueles lassi estão corretamente referenciados porque são muito bons. Para não nos esquecermos do local onde estávamos, passou mais um corpo para o crematório. Abstraímo-nos da situação, largando a pequena colher de madeira e bebendo sôfregas goladas diretamente do pote de barro em que era servida a iguaria. Seguindo a tradição da casa, deixámos fotografias nossas na parede, junto com centenas de outras.
Varanasi é a cidade mais santa para os hindus que por isso ali desejam morrer, no pressuposto de que estarão mais perto do nirvana. Ali é fácil deixarmo-nos transportar para a idade média que na Europa não deveria ser muito diferente naquela época. Com o calor e todo aquele santo ambiente, a Carol ficou meio indisposta e por isso regressou ao hotel com o Márcio, para recuperar. Eu e a Margarida, desejosos de conhecer os nosso limites, decidimos baixar novamente aos ghats e percorre-los até as forças nos permitirem. Empunhei a minha Canon EOS 6D e, refugiado atrás dela, avancei sem medos. Na falta de equipamento fotográfico, a Margarida escondeu-se atrás de uma garrafa de água mineral… fresca! :) Nos <i>burning ghats</i) não podemos fotografar. Mas nos restantes, poucas vezes temos dificuldades. Vou fazendo boas imagens. Há rituais por todo o lado. Num dos <i>ghat</i> apercebemo-nos que também este é um dia especial. As mulheres jejuam e fazem rituais de fertilidade, banhando-se, orando em conjunto e fazendo oferendas que entregam ao Ganga, o rio sagrado a que chamamos de Ganges. Recolho muitas imagens e só me vou dececionando pela falta de Sahdus, os “homens santos” que esperava encontrar em quantidade. Os poucos que encontro, pedem-me dinheiro para serem fotografados, coisa que vai contra os meus princípios. Pelo caminho somos também presenteados com uma manada de búfalos de água que estavam a ser lavados no rio. Chegamos ao último <i>burning ghat</i> e decidimos regressar. Pelo caminho a Margarida teve algumas quebras de tensão e por isso fizemos paragens frequentes. Chegámos ao ponto de partia quando o dia está a terminar, altura em que muito mais pessoas descem aos <i>ghat</i> para os cerimoniais noturnos. De regresso ao hotel, continuava a não haver água e energia, o que nos lavou o moral. Voltamos a ligar para Khajuraho e depois de mais algumas chamadas, veio a notícia que não esperava. Queriam ganhar dinheiro com a minha dificuldade e pediam um valor exorbitante para enviarem o disco pelo correio. Desligámos a chamada e procurámos uma alternativa. E quando finalmente a encontrámos, responderam que só me entregavam o disco a mim, pessoalmente em Khajuraho ou enviavam para Varanasi pelo valor indicado. Então decidi abdicar do disco e quando regressar a Portugal irei apresentar o caso à embaixada, pedindo que intervenham no caso. Antes de encerrar este assunto não posso deixar de sublinhar o empenho e disponibilidade do Sr. Prabhat Singh, dono do Suraj Gest House, que envidou todos os esforços para me ajudar a recuperar o disco. Fica neste caso representada uma Índia “correta”, em oposição ao comportamento do Hotel Surya in Khajuraho, que com propriedade desaconselho a utilização.
Tarde e a más horas e sem termos almoçado, fomos fazer o jantar de despedida dos nossos amigos Zucas a um restaurante finório onde chegámos por sinistros becos e vielas, em que evitávamos pisar as poias de vaca ou algum rato, usando a luz do telemóvel. Mas o restaurante valeu a pena. Comemos bem no terraço com vista para o rio. Regressámos nas mesmas condições e já no nosso hotel, despedimo-nos do Márcio e da Carol. Boa gente com quem privámos estes dias que souberam a pouco. Ficou a convite e a genuína vontade de os receber em Lisboa. Fomos então dormir porque no dia seguinte seguíamos cedo para o aeroporto.

17.09.2014
Tínhamos contratado um serviço de <i>pickup</i> que nos veio guiar do hotel até à zona do tuc-tuc e daí fomos num destes até ao aeroporto. Voámos para Delhi e, com um diferencial previsto de 2h, com atraso, apanhámos outro para Goa. Ali tínhamos um serviço de <i>pickup</i> para o Silver Moon Guet House. A distância ainda considerável que une os dois pontos foi feita a bordo de um Force, um jipe indiano que tenho cobiçado ao longo desta viagem e que parece ser um verdadeiro “puro&duro”.
A boa qualidade da luz do final do dia e a envolvente muito verde de floresta e coqueiros, deu-me uma primeira impressão muito boa de Goa. Vamos ver se os próximos três dias que por aqui vamos estar confirmam esta impressão.
Depois de conhecermos o John e a Maria e de fazermos o <i>check-in</i>, fomos deixar as mochilas ao nosso quarto e saímos à procura de jantar. Entrámos num restaurante onde já estavam outros estrangeiros e pedimos um prato que se revelou demasiadamente picante para a Margarida. Comeu enquanto suportou e empurrou com King Fisher. Regressámos então ao nosso quarto de acesso exterior por um caminho de terra e em pouco tempo estávamos no “país dos sonhos”.

18.09.2014
Sem pressa de acordar, arrumámos um pouco a bagunça em que deixámos o quarto no dia anterior e fomos procurar pequeno almoço com vista para o mar. Aqui até uma simples torrada pode ser picante. Mas não é por isso que, se nos distrairmos, a torrada não é levada por um corvo esfomeado. Ao nosso lado um grupo de chineses deixou um pouco de comida no prato e em poucos segundos tínhamos o “circo montado”, com um bando de corvos a gladiarem-se pelos restos. A tranquilidade é reposta pelo empregado que afugenta as aves. Relativamente perto vemos algumas águias. Uma delas, de cabeça branca. Pousam nos coqueiros e perscrutam o mar à procura de peixe. Rematamos o pequeno almoço com um <i>chai massala</i> e um <i>lassi</i> e seguimos de camioneta para velha Goa. Temos de apanhar três autocarros distintos. Esta é uma experiência nova e interessante nesta viagem. Estas “charruncas” vão apanhado pessoas pelo caminho e o cobrador, normalmente um miúdo empoleirado na porta de entrada, grita o destino e procurar angariar clientela. Tem assobios distintos para “parar”, “esperar”, “arrancar devagar” e “dar gás”. Este último muito utilizado quando vê uma camioneta concorrente que se aproxima. É que quem vai à frente, apanha primeiro os passageiros. Mas quanto pára, dá oportunidade para o concorrente passar para à frente. Ou seja, quando há duas camionetas próximas que têm o mesmo destino, os passageiros são fortemente motivados a “mexerem-se com dinamismo” para entrarem no autocarro.
Na velha Goa vamos “picando” igrejas e catedrais que estão agora a ser totalmente recuperadas com o dinheiro da UNESCO. Em qualquer uma em que se entre vemos pessoas penduradas em andaimes a recuperar quadros ou esculturas ou noutros casos acocorados a catar ervas à mão, de pedras centenárias. Entramos noutra igreja e a Margarida comove-se com uma Nossa Senhora de Fátima, tão longe de “casa”. Entramos num museu e ficamos impressionados com uma enorme estátua de Camões. Por todo o lado há pessoas de apelido “Souza”, há “Restaurante e Taverna”, há lojas “Janota”, há paragens de autocarro “O Coqueiro” e até… a empresa de camionagem “Paulo”, uma das maiores da região, pois claro! :)
Sabemos que às 19h deixamos de ter autocarros pelo que por volta das 16h30 iniciamos o regresso. E quando chegamos à nossa zona, decidimos ir um pouco mais além, a pé, até à praia de Vagator. É mais longe do que supúnhamos e de volta já não há autocarros. Cai a noite e o percurso fica um pouco mais sinistro. Na dúvida a Margarida arranja um galho de árvore que leva como se fosse uma arma letal. Sai-nos um cão às canelas e falho a biqueirada. O galho assume protagonismo mas hoje não estou inspirado e o fdp do canino passa mais um dia sem ganhar um focinho bífido. Está escuro como breu e há mato de ambos os lados da estrada. De vez em quando passamos em locais com lojinhas montadas em barracas forradas a plástico. O local não inspira preocupações de segurança mas nestas alturas acontecem improváveis. Do mato sai uma manada de vacas e nós ficamos mais ou menos no meio. Estamos de olho no cão que faz o gado mexer-se na direção certa mas acabam por ser dois bois e mereceram a nossa atenção. Resolvem “medir tamanhos” em plena estrada e discutem o assunto à cornada, entre nós e o nosso jantar. A Margarida fica assustada e um passante de moto pára entre nós e os bois e assegura que não há problema. Partilho dessa ideia mas ficaria mais tranquilo se os bois mostrassem evidências de que sabiam disso. Finalmente a estrada fica desimpedida e em pouco tempo estamos sentados em frente a uma King Fisher, à espera que venham dois deliciosos pratos com base de camarão. É hora de regressar ao quarto, ligar a ventoinha e fazer ó-ó. Boa noite!

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MensagemEnviado: 18 set 2014 21:39 
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Mas que aventureiros :D Só que está quase no fim :cry: Mas para o ano se tudo correr bem logo arranjam outra aventura :lol: Bom regresso bjs


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MensagemEnviado: 22 set 2014 22:48 
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19.09.2014
Embora eu não tivesse especial interesse por Goa, tendo acabado por me surpreender com a envolvente verde de floresta tropical e ecos de aves exóticas que nos acompanhavam até de noite, na verdade só tinha como referência os edifícios religiosos, classificados como Património da Humanidade, na velha Goa. No entanto a Margarida pretendia também conhecer Panaji, a capital da região, também conhecida por nova Goa e para a qual o Lonely Planet apresentava uma sugestão de percurso pedestre circular, num total de 6Km. Estava bastante calor e no meu caso, como ando sempre com uma mochila que dá suporte à máquina fotográfica, em pouco minutos fico encharcado em suor. Juntando a pouca motivação transmitida pelo “mais do mesmo” e o “nada de nada” dos locais a visitar, o efeito foi um inevitável “arrastar de pernas”. Tínhamos grande dificuldade em seguir o percurso do guia e os pontos que encontrávamos eram mais um templo hindu, a comparação da humilde casa do chefe do governo com a sumptuosa casa do arcebispo de Goa, para as quais tivemos de subir uma esgotante subida de 2Km e a Igreja da Imaculada Conceição onde ainda são ditas missas em português e que acabou por ser o único ponto de relevo. Por isso, cansados e desmotivados, apanhámos os apinhados autocarros de regresso à Silver Moon Guest House e deitámo-nos debaixo da ventoinha do quarto para iniciar uma esclarecedora sesta. Quando acordámos fomos ao Yash Restaurant, a tasca de um nepalês muito simpático onde já somos regulares e para afogar as mágoas pedimos duas King Fisher à vez e uns king prawns grelhados e regados com molho de manteiga, limão e alho, ao estilo goês, que se revelaram “de vir as lágrimas aos olhos”. De papo cheio, regressámos ao quarto para virar a página de mais um dia.

20.09.2014
No nosso último dia na Índia, tínhamos até cerca das 15h para fazer alguma coisa em Anjuna. Quando chegámos a esta zona, tínhamos equacionado alugar uma scooter. A moto chegou a vir ter connosco ao hotel e fiz um <i>test drive</i> com e sem pendura, uma vez que a experiencia em duas rodas era pouca. É sempre importante não perder a pendura. Estragam-se com facilidade e perde-se o investimento feito em treinos. :) Na verdade conduzi motorizada no dia em que tirei a carta e há alguns anos conduzi uma moto no Vietname, o que se revelou uma experiência muito interessante e sem dificuldades de especial. Também agora “passei no teste”, sendo que no fim, o homem que alugava as motos perguntou onde pretendíamos ir e como queríamos fazer um percurso relativamente longo, alertou que tínhamos de ter carta de condução internacional, o que obviamente não tínhamos. Neste nosso último dia pensámos novamente na hipótese da moto uma vez que era uma solução muito barata (250RP/dia – 3,5€). No entanto a preguiça de ter de ir meter combustível e o risco de partir alguma coisa que teríamos de pagar do nosso bolso, foi motivo suficiente para decidirmos fazer um percurso pedestre para Sul. Assim, deambulámos por praias que nesta altura estão desertas, sempre acompanhados de perto por moças que nos tentam vender artesanato. É engraçado verificar que todas montam a mesma estratégia de aproximação, sem pressas, perguntando primeiro o nosso nome e de onde vimos, até chegarem aoquéquie, mostrando o que têm para vender. Depois encetamos o regresso, um pouco mais pelo interior, tentando não repetir caminho, até nos perdermos. Nada que não se resolva, mais quilometro, menos quilometro. Depois regressamos ao hotel para ficar à conversa com o John, durante o resto do tempo que nos sobra. Discutimos as diferenças de culturas e as ténues lembranças que o John tem do tempo dos portugueses. Lembra-se de levar vacinas em miúdo e dos militares e pouco mais. A Maria no entanto afirma sem dúvidas que perderam muito quando Goa foi entregue à Índia. Antes o incumprimento da lei tinha consequências e agora tudo se contorna com algum dinheiro, o que leva a uma degradação da segurança e da justiça.
À hora combinada o Cláudio Souza, cunhado do John, vem-nos buscar e leva-nos ao aeroporto. E a partir dali encetamos a longa jornada de regresso.

21.09.2014
Goa, Delhi, Frankfurt e finalmente Lisboa, onde chegámos às 11h30. Já em casa, tratamos de despejar a mochila e libertamo-nos da roupa com cheiro a uma mistura de suor acido e chamuça, que nos deixa no dilema de lavar ou cremar. Estamos a tentar fugir do <i>jet leg</i> e por isso evitamos dormir fora da hora a que é suposto. Queremos regressar em grande e por isso, depois de três semanas de um quase vegetarianismo integral, apontamos a uma churrasqueira conhecida onde têm umas costeletas de novilho que transbordam do prato. É que também aqui as vacas são sagradas, embora na nossa cultura as veneremos às fatias.
Vem agora a terceira parte da viagem, na qual se partilham histórias e se apresentam fotografias. A seguir virá a primeira parte da próxima viagem… um novo planeamento.

Namaskar

PS: Mais fotos no

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