Rituais

Para lá do horizonte
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 Assunto da Mensagem: [Condução] Areia
MensagemEnviado: 08 abr 2007 22:11 
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Localização: Lisboa e Caldas da Rainha/Portugal
Condução na areia

Em Portugal poucos são os locais onde temos a possibilidade de conduzir em areia. Temos a zona da Comporta, algumas zonas do Alentejo e Marinha Grande e pouco mais. E mesmo nesses locais a areia dos caminhos que podemos encontrar é muito diferente da areia do deserto. Cá em Portugal temos normalmente areia solta e muito cavada devido à utilização intensiva desses caminhos. A areia que encontramos no deserto, pode também ser semelhante à de cá, sobretudo nas pistas mais frequentadas, mas aquela que nos atrai verdadeiramente é a dos grandes espaços, virgens, como o Sahara.

Em qualquer dos casos a progressão eficaz normalmente só é possível com uma pressão de pneus mais baixa que o normal. Baixando a pressão estamos a fazer com que haja uma maior superfície de borracha em contacto com a areia. É aquilo a que normalmente se chama de maior “pegada”.

Muitas vezes vejo praticantes de todo-o-terreno a fazerem subidas de areia com o motor em grande rotação. Força-se a mecânica, provocando um maior desgaste do que seria necessário. Claro que uma pressão baixa também tem inconvenientes. O pneu fica mais vulnerável a cortes ou furos e depois de abandonarmos o piso de areia, temos de o voltar a encher com a pressão normal para estrada.
É por isso necessário encontrar um equilíbrio. Podemos fazer uma tentativa de passar o obstáculo com a pressão normal e depois ir experimentando com pressões mais baixas. Assim saberemos qual é a pressão necessária e suficiente para aquela dificuldade a vencer, tendo em conta o peso da nossa viatura. No final do passeio é só passar numa estação de serviço e voltar a colocar os pneus à pressão normal para estrada.

Para rolar nas areias do deserto é fundamental levar um pequeno compressor, junto com o resto do equipamento.
Não é necessário comprar um compressor muito caro. A não ser que tenha disponibilidade financeira para isso e sobretudo se pretender dar outras utilizações ao compressor, como por exemplo para activar bloqueios de diferencial. Mas é conveniente ter o mínimo de fiabilidade, pelo que um compressor de hipermercado não é adequado. Podem ser encontrados compressores de gama media, como por exemplo alguns modelos da marca Volcano, por cerca de 50 a 70 euros, que servem perfeitamente.

Numa expedição, mesmo num grupo grande, é conveniente haver um compressor por carro. Encher quatro pneus ainda demora algum tempo e por isso não é nada agradável ficar no calor do deserto à espera de outros elementos do grupo.

Quando utiliza o compressor, proteja-o da areia. Mantenha-o em cima de algo solido.

Apesar dos compressores trazerem incorporado um medidor de pressão, é conveniente comprar um destes aparelhos para uma medição mais correcta e sobretudo para quando tira ar aos pneus, tarefa para a qual não necessita do compressor.

Quando conduz na areia deve evitar acelerações bruscas para que as rodas não derrapem na areia. A progressão deve ser feita com suavidade, a uma rotação o mais constante possível. Antecipe as dificuldades, entrando à velocidade e rotação que lhe pareçam mais adequadas para as vencer.
Não devem ser feitas passagens de caixa porque irá perder velocidade assim que pise o pedal da embraiagem. A mudança com que entra, deve ser aquela com que saia da dificuldade. Até mesmo para evitar impactos fortes na embraiagem.

Se sentir que atascou, não insista. Saia da viatura e vá avaliar a situação. Em primeiro lugar liberte o carro de todos os obstáculos. Retire a areia que trava o chassis e as rodas e faça uma “cama” para as pranchas de desatascamento. Estas devem ficar exactamente em frente às rodas, o mais na horizontal possível. Tente tirar o carro com a ajuda dos companheiros a empurrar. Se vir que todas as rodas continuam a cavar, tente ser puxado por outro carro que tenha tracção. Dois carro em serie costumam resultar melhor.

Um dos perigos que poderá encontrar quando conduz na areia são os chamados “tufos de erva camelo”. A areia acumula-se em torno da erva e em conjunto com as raízes, fazem um monte solido que poderá provocar danos sérios em caso de embate em velocidade. Também pode acontecer que passe por cima de um destes montes com apenas uma roda e isso poderá fazer com que perca o controlo do carro.

Quando o percurso em areia é rolante deve ter cuidados redobrados sobretudo a meio do dia quando o sol está mais alto. Nesta altura as tonalidades do terreno são muito uniformes e por isso é mais difícil detectar diferenças no relevo. Uma velocidade mais moderada poderá evitar que caia numa depressão do terreno. Ou, se passar com as duas rodas por cima de uma pequena elevação, poderá dar um grande salto, com uma aterragem que no mínimo lhe irá tirar toda a bagagem dos locais onde foi guardada, mas que também poderá causar danos na viatura.

Outro perigo são as pedras escondidas na areia. Se forem aguçadas podem rasgar um pneu. Uma batida numa pedra poderá também amolgar uma jante, fazendo sair o ar do pneu.

Leitura das Dunas

Há variados tipos de dunas no que respeita ao formato e à consistência. O tipo de areia de que são feitas as dunas, varia em função da sua localização, caso se tratem de dunas costeiras ou interiores.

Uma duna é mais consistente do lado de onde vem o vento. A areia é projectada e por isso fica mais compactada. Este é o chamado “lado positivo”. Do outro lado a areia limita-se a cair, por isso é muitíssimo menos consistente. Esse é o chamado “lado negativo”.
O lado positivo é normalmente mais escuro. É deste lado que a duna deve ser atacada.

Frequentemente as dunas são irregulares, o que dificulta a sua leitura. Se necessário pare a viatura e vá avaliar o terreno a pé. Se a areia não for muito consistente, pare no cimo de uma pequena elevação para facilitar o arranque posterior. Com os seus passos procure as partes mais compactas da areia. Se encontrar uma zona mole, retroceda pelo mesmo caminho, até chegar ao último ponto de consistência e faça nova tentativa seguindo outro rumo. Planeie todo o trajecto a fazer até que a dificuldade esteja ultrapassada e possa imobilizar a viatura em segurança para retomar o processo se necessário. Se possível projecte as grandes subidas, fazendo pequenas subidas sucessivas, progredindo de forma faseada. Uma vez planeado o percurso a fazer, regresse ao ponto de partida, reforçando as marcas que fez na areia com os seus passos. Sente-se na viatura, descontraia e reveja a linha das suas pegadas. Depois ataque o objectivo com suavidade e regularidade, mas ao mesmo tempo com determinação e sem hesitações. Siga rigorosamente o plano que fez.

Subida de uma duna

Decida-se pela melhor mudança para fazer toda a subida e não faça passagens de caixa durante a transposição do obstáculo.

Se durante a transposição vir que “não tem motor” para vencer o obstáculo, aproveite o movimento final do carro para engrenar a marcha-atrás, antes do carro começar a descer. A descida faz-se com uma aceleração suficiente para manter a viatura a direito e sob o seu comando. Não trave. Se a viatura começar a querer atravessar-se, dê-lhe mais aceleração até retomar o controlo. É fundamental evitar inclinações laterais. Por isso, mesmo com pouca inclinação, tentativas de inversão do sentido da marcha são o melhor caminho para capotar.

Se a subida lhe correu conforme planeado, tome agora atenção à crista da duna. Do outro lado pode haver uma grande descida., pelo que é prudente cortar grande parte do acelerador no momento exacto em que a metade da frente do carro já fez a transposição. Não antes disso, para que não fique “pendurado” pelo chassis na crista da duna.

Descida de uma duna

Decida-se pela melhor mudança para fazer toda a descida e não faça passagens de caixa durante a transposição do obstáculo. Se a mudança for muito curta, quando necessitar de mais velocidade, a caixa não lhe dará essa possibilidade. Se a mudança for muito larga, o carro irá embalar demasiado porque não terá a resistência do motor para o travar.

Mantenha uma aceleração constante e apenas o suficiente para manter o controlo do carro. Não acelere demasiado para aproveitar o atrito da areia, de forma a manter uma velocidade baixa durante toda a descida. Se a viatura começar a querer atravessar-se, dê-lhe mais aceleração, até retomar o controlo.

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Paulo Alves
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